27 aos…

Chego aos meus vinte e sete anos como um mentiroso, hipócrita, sem perspectiva de futuro, acuado pelas decisões impostas por uma situação ou por uma falta de vontade. Chego desacreditado, soturno, fingindo brigar por uma causa que finge existir. Exatamente o contrário de outro 4 de março, o de 1973, quando a União Popular, contradizendo os prognósticos midiáticos, conseguiu conter o avanço conservador no congresso chileno e impedir que a oposição atingisse os dois terços da casa, número que outorgaria a destituição por via constitucional do presidente eleito, Salvador Allende. A partir desse pleito desenrolou-se a conspiração que, seis meses depois, assassinou o presidente e instaurou o regime militar no Chile no dia 11 de setembro de 1973, acabando assim com a democracia mais duradoura da América Latina. Um golpe que rogava ter apoio popular mas que, na verdade, tinha única e exclusivamente o apoio dos governo dos Estados Unidos da América e de uma parca elite agrária e industrial. O povo chileno, ao contrário do que dizia a ditadura, do que pregava a imprensa, e de mim, resistiu ao máximo à derrocada de seu poder e esteve ao lado de seu presidente até um dia antes do golpe, numa gigantesca manifestação popular – manifestação essa que foi esmagada nos anos seguintes por crimes cometidos pelo general Pinochet. Quinze anos antes do meu 4 de março e 42 anos atrás o povo chileno dava um exemplo de democracia e efervescência popular, é à esse exemplo que devemos nos apegar em dias como esses, em que convivemos com uma mídia golpista da mesma estirpe da de outrora, e em que convivemos com as mesmas manifestações de violência extremista perpetradas pela direita. Viva o povo chileno! Viva quem resiste, debate, escuta e fala dentro das suas iniciativas, pautadas pela vontade ideológica, pois esses são os princípios democráticos. E hoje, mais do que nunca, é primordial que se relembre quais são esses princípios.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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