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Tudo começou com uma buceta.

Era outono, o parque se ajoelhava em minha frente, já era a minha milésima décima oitava dose de água com gás e um copinho de vinho branco sauvignon blanc…. Entrei naquela próxima esquina, não tinha ninguém, segui beco escuro adentro, não tinha ninguém, dobrei a pequena esquina, não tinha ninguém, mas que porra, quem eu tenho que chupar pra conseguir um pino? Um rapaz apareceu, louro, alto, nórdico, do tipo que não parece um traficante; pensei, a parada é boa. Me aproximei, tentei conversar um pouco, ele rosnou, foda-se, entrega o dinheiro, pega a parada, linha. Oieh, é o que temos! limão, metade e um, açúcar, cachaça, cachaça, cachaça, gelo pra caralho e bora. Amargo que nem minha rola depois de uma peça do Becket. Foda-se, vamo que vamo, a gente manda, tá tudo bem, no meu copo da L’Oréal Paris ainda tem mais um pouco de caipirinha, e assim, meus amigos, a vida se resume, uma dose de qualquer merda, umas duzentas peças de minha rola pra mostrar aonde que você pertence, umas caralhada na porra da caralha da sua cara e é assim, e é aqui que estamos, uma vontade absurda de me matar, de mandar uma corda no pescoço, como eu já fiz antes, de mandar um “valeu galera”, de chamar tua mãe de puta pela última vez. Mas antes do nascer do sol, pornografia, antes de morrer resolver toda a merda que resta. E isso é uma merda. Pra que, meus senhores? Pra que? Eu to quase vomitando. Eu nunca vomitei, eu nunca vomito, eu sou bom em segurar essa merda. Na verdade eu já vomitei duas vezes, na primeira foi no meu aniversário de 18 anos, no estacionamento do Extra, tinha bebido pra caralho e vomitei no meun tênis, macarrão com molho branco, lembro até hoje. Se você fosse meu pai o que você faria, beberia mais comigo, saudavelmente como sempre foi, sabendo que essa merda pode se desenvolver pra caralho ou mandava um foda-se e mandava parar a porra toda? Não sei. EU não sei. Pais sabem. Paisá é um grande filme do cinema italiano do pós guerra, um movimento chamado neo-realismo italiano. Mas que isso tem a ver com eu? Caceta nenhuma, eu sou apenas a concentração da esperança e do pessimismo, além de ser, é claro, o mal. O mal mora em mim*.

*Ouçam Saco de Ratos

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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