O Pior de 2014

Um ano que tem tudo pra ser complicado, uma Copa do Mundo de futebol que ninguém sabe como será nem dentro e nem fora dos campos, uma eleição presidencial onde uma presidenta que amarga diminuição de sua aprovação popular tentará a reeleição e o aniversário de 50 anos do que talvez possamos chamar de um dos piores dias para a história da nação, o 31 de  março de 64. Só isso já basta pra dizer que 2014 seria sui generis. Mas quis sei lá quem que este ano tivesse mais algumas peculiaridades, e assim o ano de 2014 teve no segundo dia do seu segundo mês a morte de dois nomes importantíssimos para o cinema mundial. Um deles, talvez, o maior documentarista que pisou nesse planeta, e dói de muitas formas, não só pelo absurdo da proporção da tragédia, algo que seria abominável com quem quer que fosse, mas também por que sabíamos que Eduardo Coutinho, no auge dos seus 80 anos de idade, ainda tinha muito o que contribuir com o cinema, e isso dói, isso dói demais, um homem que sempre tratou seus temas com tanta sensibilidade e seus entrevistados com tanta humanidade não poderia nos deixar de forma tão macabra. Gênios como Coutinho não deveriam sequer terminar de viver, muito menos ter sua existência abreviada dessa forma. E essa falta também machuca quando pensamos em Philip Seymour Hoffman, machuca reviver todo o pesadelo que passei no início de 2008 quando no dia 22 de janeiro o mundo perdeu Heath Ledger e tudo o que ele ainda teria sido nas telas e fora dela. Dói demais pensar que nós nunca mais seremos agraciados com a visão desses sujeitos sobre a vida humana, sobre como representá-la, sobre como ser alguém que ainda não se é. Como um capricho, Hoffman se foi após fazer o que considero a sua melhor atuação em parceria com Paul Thomas Anderson, sendo o Mestre do título do filme e atuando ao lado de Joaquim Phoenix, o que pra mim representa o supra sumo do atual cinema juntos, ali na tela, algo que me deixou cheio de expectativas e algo que não verei mais, exatamente como Ledger, que logo antes de morrer nos mostrou a intrigante e instigante figura do Coringa no Batman de Christopher Nolan. Ledger antes, Hoffman e Coutinho agora, cada vez que isso acontece são diversas sensações terríveis em ebulição dentro de mim e no fim sempre uma mesma tristeza. E isso me leva à primeira vez que senti essa tristeza, 1º de julho de 2004, um domingo, quando uma pequena reportagem do Fantástico da Globo anunciava que Marlon Brando não estava mais entre nós. Vão-se os gênios, ficam seus fillmes.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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