Referências

Vocês sabem que eu sou esquentado, bradou o político. Se perguntarem se você já fumou maconha e se você acredita em Deus, responda sempre “não” e “sim” e nunca “sim” e “não”, filosofou o outro. Os jornais são meus alimentos, Os Jornais São Meus Alimentos, OS JORNAIS SÃO MEUS ALIMENTOS. Acho que eu to satisfeito, confessou o cliente à prostituta após o primeiro boquete. É que ele já estava na terceira lata, na quarta dose, na oitava pinga. No Brasil todas as torneiras pingam. No Brasil todas as igrejas pingam. No Brasil não há lugar pra brasilidades. No Brasil é feio ser brasileiro. No Brasil, no Brasil, no brasil, parece que todo mundo só sabe falar do Brasil. Ah, claro, é por que vai ter Copa aqui, e Olimpíadas, e vídeo cacetadas. Ou talvez seja por que eu viva no Brasil. Três coisas que não se discutem no Brasil: garrafa é melhor que lata. Carro é melhor que ônibus. Malafaia vai pro inferno. Ninguém sabe fazer humor e todo mundo pode, em algum momento da vida, ser amigo de todo mundo. Amigo mesmo, parceraço. Ah, e no Brasil não pode ter inflação, se tiver outro golpe de milico vai quarenta por cento do povo pra rua apoiar, mas se tiver inflação presidente não se reelege, ministro perde emprego e eu não vou poder por tomate na pizza. Sabiam que vocês já podem enfiar o tomate até no cu se quiserem? É isso mesmo, no cu vocês podem enfiar o que quiserem, sem culpa, sem medo, sem Jesus, aquele empata foda. O cu, meus amigos, é a única propriedade privada de um estado socialista, e uma das poucas propriedades públicas de um estado pseudolaico que condena tudo mas não condena nada. A maldade é seletiva, a maldade não é universal, repito, NÃO é universal. A maldade tem endereço, conta no banco e cartão de crédito. A maldade somos nós, não o mal em si. A maldade explode, em qualquer lugar, em qualquer hora, em qualquer corrida, a maldade explode onde se fala inglês, onde se fala árabe, onde se fala espanhol, onde se fala mandarim e onde se fala o dialeto local. Agora dizem que o mal não tem idade, não tem justificativa, não tem razão. E o medo, que fazer com o medo? Não o seu, o medo de quem comete a suposta maldade. Aquele que a gente não vê retratado nos infográficos da Superinteressante, que a gente não vê falar em lugar nenhum, exceto em um lugar talvez, mas aí é muita arrogância minha. O maior medo deveria ser o de ficar parado aqui, o medo de que demore muito mais pra começar o século vinte e um, medo de que ele não comece logo e que não se desenvolva as tecnologias e updates que mais interessam e que a gente não abandone de uma vez por todas essas amarras modorrentas de uma mundo regrado pelo Word, Excel e Power Point. Ninguém aguenta mais.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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