Leave Me Alone, I Know What I`m Doing

Neste blog tão marcado por textos ultrasubjetivos e mirabolantes peço licença aos meus seis ou sete leitores para escrever uma opinião sobre a Fórmula 1, mais especificamente sobre o GP da Malásia, o que, devidos aos seus fatores, pode nos levar a pensar sobre a qualidade de “esporte ” atribuída à Fórmula 1. Em primeiro lugar a disputa entre Vettel e Webber, algo que, para mim, teve como efeito mais importante o sabor especial que deu à corrida e não todo o frenesi que se sucedeu após ela. Vettel foi pra cima, Webber se defendeu bem, foi uma briga justa, limpa, mas Vettel tem mais braço e passou, no entanto sua insegurança faz jus a sua idade mas não ao seu currículo, um tri-campeão mundial tão jovem como ele deveria defender a bandeira de que as corridas são (ou deveriam ser) definidas na pista, por aqueles que se equilibram em cima daquelas quatro peças giratórias de borracha e não por aqueles que nunca olham diretamente pro asfalto mesmo estando a poucos centímetros deste, os engenheiros em seus pit-walls, apertando botões e definindo estratégias baseadas em contratos e acordos comerciais. Vettel, ao invés do pedido de desculpas e promessa de que aquilo nunca se repetirá, deveria levantar o polegar, o dedo indicador e o médio pra mostrar que ganhou seus três campeonatos mundiais por que sempre foi mais rápido que Webber, e não por que este é (era) segundo piloto. Vettel ganhou a corrida e foi o piloto mais rápido da equipe Red Bull Racing no GP da Malásia. Como disse o Luís Fernando Ramos, o Ico, no excelente site Total Race, se a Formula 1 tem algo a ganhar nesse fim de semana é com o fato de que o jogo de equipes e aqueles que a praticam devem ser execrados do circo, e para tal passamos à outra disputa do GP, aquela que se deu entre Nico e Lewis. Nico pediu à Ross Brawn, chefe de equipe, “eu sou mais rápido, posso passar o Lewis?”, no que Brawn retrucou “negativo, negativo”, Nico não foi para o pódio, Hamilton foi, mesmo não sendo o piloto mais rápido da equipe Mercedes F1 Team. A Mercedes correu para se desculpar pela atitude do seu chefe de equipe. Brawn é um gênio das pistas, projetou as Ferraris de outro mundo que deram cinco títulos mundiais à Schumacher, projetou a, acredito eu, única equipe a existir por apenas um ano e mesmo assim ganhar o campeonato mundial de pilotos e de equipes, a Brawn GP em 2009, e agora vem desenvolvendo um bom carro nesses últimos quatro anos com a montadora alemã. No entanto Brawn tem um passado marcado pelo jogo de equipes, na Ferrari, junto com Jean Todt, arquitetou a maior vergonha da história da Formula 1 quando pediu à Barrichello para ceder a vitória à Schumacher no GP da Áustria de 2002, além disso e com isso estruturou a hierarquia da equipe, que ignorava a velocidade dos pilotos. Na Brawn demonstrou jogar contra Rubens na disputa pelo mundial entre o brasileiro e o inglês Jenson Button, Barrichello até ameaçou deixar o time caso percebesse um jogo de equipe claro, Brawn fez a mea-culpa e Barrichello seguiu na escuderia até o fim do ano. E agora jogando contra o Nico na Mercedes. Resta dizer que nenhuma dessas claras armações do Ross definiram coisa alguma nos campeonatos, foram apenas demonstrações de poder, no entanto em todas as equipes pelas quais passou Ross Brawn tinha um primeiro piloto antes mesmo da largada do primeiro GP. Com o repúdio a esta atitude Brawn deve, cada vez mais, ser lembrado pela sua antiesportividade e não pela sua genialidade, perdendo poder e sendo seu lugar na história, quem sabe, ao lado de Briatore. Se a Formula 1 seguir pelo caminho que vimos no GP da Malásia de 2013 então deveremos nos questionar seriamente sobre a razão de ainda pararmos para acompanhar esse “esporte”. No entanto eu chamo a atenção para esse GP pois acredito que ele tem potencial para ser um divisor de águas, podemos perceber na mesma corrida uma reação peculiar do mundo da Fórmula 1, sua reprovação tanto das atitudes de Vettel e de Brawn e isso carrega uma contradição intrínseca, qual é então a resposta correta? Que as equipes digam para os pilotos se matarem na pista? Nenhuma equipe vai fazer isso. Seria o caso de permitir apenas um carro por equipe? De proibir a comunicação por rádio? Seria a hora de começar, a partir dessa contradição, a pensar a respeito do papel desse esporte, de definir qual é o arcabouço valorativo que o regerá e a partir de então criar um novo status quo? Não sei, sei que prefiro o estilo seco e escandinavo de Raikonen que, quando liderava o GP de Abu Dhabi de 2012 era constantemente alimentado pelo seu engenheiro sobre informações acerca dos pilotos que vinham atrás, Raikonen apenas respondeu “leave me alone, I know what I’m doing”, e ganhou a corrida.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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