Lócus qualquer coisa.

Pedro suspirou e pensou, que mal tem, é de graça! Pedro nunca quis que fosse de graça, era canhestro, conservador, de papo atravessado, sabia que nunca queria. Pedro era espontâneo, era moribundo, fantasmagórico, emancipado, bebia Guinness e achava que era bonito, era só mais um  vicio, era só mais uma coisa errada para que o acusassem depois. Era só mais tentador, sabe tentador? E tentava, tentava de todas as formas. Tentava como ninguém. Pedro tentou e, como todo mundo, nunca conseguiu. Mas era feliz, afinal, tinha tentado. E como vale tentar né, Pedro? Pedro deu de ombros. Pedro vivera a vida inteira dando de ombros pra vida. Pedro, um milhão de dólares ou uma bicicleta velha? Pedro deu de ombros. Ainda que não soubesse, deu de ombros. Mas era feliz, sabia aonde iria chegar, afinal, Pedro tentou, tentou com todas as forças, com todas as cachaças, com todas as mágoas, com todas as forças, Pedro tentou. Pedro, vamos? Não, claro que não. Era uma manhã de sábado, Pedro havia acabado de comprar sua bicicleta, 18 marchas, quadro de alumínio, bonitona, um vermelho quase vinho. Pesava só 5 quilos. E Pedro se orgulhava, subia na bicicleta e ia pra onde queria ir, pedalava e a cada pedalada podia sentir a brisa na cara, a liberdade no coração,  prazer de saber que aquilo era seu, só seu. Pedro batia perna atrás de perna, subia, descia e subia e descia e decidiu que deveria subir e descer mais, e foi, estrada afora, subiu, desceu, subiu. Pedro. Lá por uma bela hora aconteceu que Pedro não viu o caminhão. Foda-se o que aconteceu, Pedro subiu, Pedro desceu, não era covarde, não poderia ser. Pedro, onde tá a bicicleta. Tá ali, se é que você pode chamar aquilo de bicicleta. Pedro se sentia leve, andava como ninguém, balbuciava coisas românticas, líricas, chorava quando queria, era sério quando queria. Sentia a cabeça leve, pesada, inflamada, via futebol e comia costela de porco, punha barbecue e mostarda, lambia os dedos e

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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