Túnel Noite Ilustrada

Demônio: Antítese de Deus, o pai da mentira; a criatura que irá tentar todas as outras a fazerem o que se julga errado, o causador de todo o mal. Família: A célula fundamental da sociedade quando se intercambia e cria novas associações; o declínio da sociedade quando se fecha em si de forma incestuosa. Grupo de pessoas que se unem para proliferar seus genes e se protegerem de outras famílias. Sociedade: A melhor forma que os seres humanos acharam para se organizar em grupos, onde se respeitam leis, ícones, diferenças, símbolos, instituições e é gerida direta ou indiretamente por todos os seres contidos nela e que são essencialmente políticos. A família é o demônio da sociedade.

Existe uma busca incessante pelo sentido, pelo ponto que faz com que tudo passe aquela sensação confortável de que no final as coisas vão se encaixar, pelo objetivo que faz desde o movimento mais curto possível até o mais largo valer a pena, todos buscamos o ponto, mas não são todos que encontram esse ponto, não achá-lo pode ser um sintoma de que você o é. E quando você é o ponto, então não há ponto algum. Quando você é o ponto a vida já está predeterminada, e a gente vive encarnado nessa maleficência inata que é fazer o papel de Jesus, sem pai nenhum pra afastar cálice nenhum, sem mãe nenhuma pra nos dar nada pra beber. E a gente só passa a ser o ponto quando tem gente em volta, que cuida, que olha, que amamenta, protege, manda pra escola, busca, ensina a contar, a jogar futebol, a recusar as drogas, a gostar de cinema, a gostar de arte, a colocar camisinha, derrama uma gota de vinho, leva pra viajar, trás de volta pra casa, coloca pra dormir e ensina que se apanhou tem que bater. Ensina, sem que se perceba, que se você der errado nada valeu a pena. O que ninguém sabe é que não importa o quão certo você dê, ainda assim não terá valido a pena. A gente só é uma desculpa pra uma coisa que não tá valendo a pena há bastante tempo. Desde a invenção da democracia representativa as pessoas estão tentando deixar de ter vida pública, de ter relações dentro desse labirinto lisérgico que é a cidade, o estado, o país. Simplesmente não dá. Se a gente realmente tivesse escolha daria pra ver que a vida não funciona em célula, grupo, par ou time de futebol, funciona sozinha, deixemos os atritos pro corpo, deixemos a vida pra lá e amanhã quando eu ainda te desejar um bom dia é por que agora eu sei que a existência funciona exatamente como se entrássemos dentro de um túnel e continuássemos a ver as estrelas, ou nós não estamos de fato dentro de um túnel ou o que nós vemos não são de fato as estrelas.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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8 respostas para Túnel Noite Ilustrada

  1. Isabel disse:

    O que explica a vontade de um ser social não querer ser sociável? Saudade atrasada da sua escrita.

    • drepo disse:

      Não somos seres essencialmente sociais, somos animais políticos, se fossemos essencialmente sociais não existiria a misantropia! Bom vê-la por aqui, que fazes da vida?! De vez em quando a leio também.

      • Isabel disse:

        Acho que agora escrevo menos coisas “publicáveis”, você deve estar tendo poucas coisas minhas pra ler, rs. E você? Como anda?

  2. drepo disse:

    E o que seriam essas tais coisas impublicáveis?! Neo-concretismo? Minimalismo? Tá escrevendo um livro??? Enfim, vou bem, na minha segunda faculdade (audiovisual) e sem grandes perspectivas de grandes coisas.

  3. Isabel disse:

    São só meus fragmentos egoístas que não mostro pra mais ninguém. Pode se considerar um livro, várias edições, sem editora ou outros números. Mas má verdade são só rabiscos. E é bacana? Fui uma vez numa palestra no Senac sobre esse curso, mas não tenho muito o que dizer sobre. Qual foi a primeira?

  4. Isabel disse:

    Na verdade*

  5. drepo disse:

    mostrar esses rabiscos aí! tudo o que a gente faz são rabiscos… alguns rabiscos ganham Nobel de literatura outros não! Tá legal a faculdade, mas sei lá, corporativista demais pro meu gosto. a primeira foi ciências sociais.

  6. Isabel disse:

    Quem sabe, vou evoluir um pouco mais neles (: Corporativista? Eu achava que audiovisual era mais cinema que qualquer coisa, mas acho que não, né? Tem um ex-professor meu que diz que eu deveria fazer ciências sociais. Mas acho que ele diz isso pra bastante gente.

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