A Experiência

Em abril desse ano, atacado por algum tipo de senso moralizador, eu tentei passar trinta dias corridos sem engolir uma gota de bebida alcoólica. A ideia era começar a experiência no dia 24 e até o dia 2 de maio eu não publicaria nada no blog, exatamente para que eu tivesse material suficiente para pelo menos dez dias de postagens mesmo que eu desistisse da experiência no meio do caminho. Eu iria começar a publicar somente depois que eu percebesse que a minha meta seria possível de ser alcançada, e publicaria um por dia até o trigésimo dia ou até que a experiência falhasse. Pois bem, aí em baixo está o resultado. 

24/04 – dia 1

O alcoolismo tem dois benefícios, além de você reduzir a sua expectativa de vida ele ainda te salva de encarar a realidade enquanto você estiver vivendo, e bebendo. No entanto eu não posso pensar assim, minha vida não é só minha e eu não tenho culhões pra desafiar os tabus sociais. Desta forma me proporei a passar o período de trinta dias corridos sem engolir uma gota de álcool, única e exclusivamente pra desafiar o meu vício psicológico. Nesse meio período já estão agendadas uma feira de vinhos e o feriado de primeiro de maio, excelentes momento pra se beber, aos quais eu resistirei bravamente, ou não. Por isso eu apenas começo a postar esse diário hoje, dia dois de maio, é por que se eu resisti a esses dois eventos, significa que eu realmente estou determinado a alcançar tal objetivo e posso, como raramente acontece, confiar em mim para executar essa tarefa que eu duvido muito que vá conseguir. Ontem eu bebi duas latas de cerveja na faculdade, ao que tudo indica, as ultimas. Hoje fui comprar um cappuccino na História e do lado estavam vendendo Heineken, resisti, ao chegar em casa, no meio da madrugada o whisky me olhou com cara de mal, resisti novamente. Amanhã tenho duas provas da faculdade, não deve ser tão difícil, mas na quinta-feira há a feira de vinhos, o primeiro teste severo.

25/04 – dia 2

Hoje, ao sair de casa, senti um delicioso cheiro de whisky Jack Daniel’s no meu nariz, eu me lembrei do cheiro, o senti enquanto dirigia para a faculdade, não havia nenhum copo perto de mim, foi algo projetado mentalmente, aquele cheiro de Bourbon bem amadeirado, antes de colocar as pedras de gelo. Não sei o que isso significa. Essa noite eu dormi apenas cinco horas devidos aos estudos para as provas, não sei se foi esse o motivo ou não mas depois de chegar em casa, de novo tendo que comprar o cappuccino do lado de onde vende Heineken, eu me senti bastante irritado, sem motivo algum, apenas irritado. A irritação só passou quando eu conquistei o título do campeonato espanhol e da copa do rei no Fifa 12. Depois passei o fim da noite tomando cafés e cappuccinos. Amanhã teremos o grande teste, feira do vinho, na verdade é bom possível degustar um vinho sem bebê-lo, após sentir as sensações organolépticas basta cuspi-lo. Esse será o desafio!

26/04 – dia 3

 

 

 

 

 

 

 

 

Tem certas coisas que é melhor nem tentar.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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