Sombras da Noite

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Dirigido por Tim Burton. Com: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Eva Green, Jackie Earle Haley, Johnny Lee Miller, Bella Heathcote, Chloë Grace Moretz, Gulliver McGrath.

O que chama a atenção na nova película de Burton é que ele transporta um vampiro dos lugares onde nos acostumamos a vê-los, castelos sombrios da Transilvânia ou mais recentemente nas películas românticas adolescentes, e o coloca no interior dos Estados Unidos em plena década de setenta, e basicamente é daí que vai surgir metade do humor do filme, as piadas vão sempre focar no choque de culturas provocado pelo encontro entre Barnabas Collins (Depp), o vampiro inglês conservador que migrou de Liverpool para a costa do Maine e os permissivos anos setenta, extremamente coloridos, com sua cultura hippie, expansão do feminismo e estilo de vida já bastante mercantilizado com o avanço capitalista, bem diferente de cento e noventa e seis anos antes quando esse processo estava apenas no começo. A outra metade do humor do filme surge dos maneirismos empregados pelas competentes atuações de Depp, Helena Bonham Carter, Jackie Earle Haley, Eva Green e Chloë Grace Moretz, a quem já vimos fazer papel de vampira em Deixe-me Entrar. Apesar de não comprometer, a atuação de Depp em papéis cômicos sempre irá nos lembrar do mais famoso deles, o capitão Jack Sparrow de Piratas do Caribe. Foi assim com o Chapeleiro Maluco de Alice no País das Maravilhas, o Willy Wonka d’A Fantástica Fábrica de Chocolates e o Sweeney Todd do filme que leva o nome de seu personagem. Apesar de mais contido, a forma como Depp usa sua voz e suas expressões corporais recorrem sempre ao capitão afeminado de Piratas do Caribe. Além de que seu personagem tenta conciliar a personalidade de vampiro com a do humano que outrora fora, e esse conflito evidente na cabeça de Barnabas é também fruto de algumas risadas durante o filme.

A atuação de Chloë Grace Moretz, que tem apenas quinze anos, é outra parte marcante do filme por nos imprimir uma dúvida permanente durante o filme, sua personagem Carolyn Collins é a única a não se adaptar à sua família. Essa construção se inicia quando ela é apresentada, nós a vemos do lado esquerdo da tela, o lado “menos agradável”, e continua pelo fato de que em todas as suas cenas podemos perceber referencias aos principais expoentes do rock’n roll da época, quando ela não está ouvindo T. Rex ou Black Sabbath podemos ver pôsteres de Jimi Hendrix e Janis Joplin em seu quarto, ou seja, ela ouve a música que os jovens rebeldes de sua época ouvem. Junto a isso está o fato de que em suas principais cenas ela está de roxo. O clima criado pelas cores é algo ao qual Tim Burton dá uma importância crucial em seus filmes, podemos perceber, por exemplo, como a mansão construída pelos Collins vai ganhando tons mais claros e ensolarados de acordo com a prosperidade da família. No figurino, especificamente, podemos perceber que Burton atribui certas cores a seus personagens, Angelique (Green), a bruxa que amaldiçoou Barnabas, será sempre retratada pelo vermelho do pecado e da danação, quando ela não estiver usando um vestido dessa cor, ela estará de costas para uma cortina dessa cor ou ainda dirigirá um carro na cor do sangue, que se contrapõe ao carro amarelo pálido da família Collins, por exemplo. Josette (Heathcote), a noiva de Barnabás no séc. XIX e Victoria (Heathcote novamente) sua paixão na década de setenta, estarão sempre trajando tons azuis claros, mais simpáticos e agradáveis aos olhos. Elizabeth (Pfeiffer), a matriarca do que sobrou dos Collins, usará cores de acordo com a tensão pela qual passa a família, na primeira cena dela, quando a família se encontra falida e desacredita, ela vai aparecer com um vestido preto que cobre até o seu pescoço, durante a trama ela aparecerá com vestidos verdes, dourados e até com peças brancas nos momentos em que a família chega ao seu auge. Enfim, o fato é que somado ao seu comportamento rebelde e seu gosto por rock, está o fato de que Carolyn está sempre de roxo, um meio termo entre o azul da amada do protagonista e o vermelho da vilã do filme, portanto quando o filme exigir que os personagens tomem partido (e este é um daqueles filmes que vão sempre mostrar um momento de redenção ou de perdição dos seus personagens) nós ainda não saberemos que caminho Carolyn vai seguir até que ela demonstre sua escolha.

Todos os personagens carregam consigo segredos, construções dúbias que vão se revelando, ou não, durante a trama. Victoria, em certo momento é focada de maneira bem rápida com um retrato acima de sua cabeça, do lado direito da tela, a imagem parece ser dela mesma, só que em outra vida no passado, poderia também ser a foto de Josette, isso não é revelado durante o filme. O fato é que nem todas as teias são amarradas e isso seria um fato ruim se não houvesse a indicação clara de que Burton e Depp (um dos produtores do filme) planejam uma continuação para o longa.

Talvez esse seja o plano porque o filme é baseado em uma série de sucesso da década de sessenta que ostenta o mesmo nome da película em inglês, Dark Shadows. A série foi muito famosa e até hoje é cultuada entre os fãs. Portanto Burton pode ter planejado a sequência para que o filme seja fiel a série até nesse aspecto, o de ter capítulos, um dos motivos que pode indicar essa preocupação é por exemplo o fato de Burton usar uma razão de aspecto de 1.85:1 contra os habituais 2.35:1 das películas modernas, o que é bem perceptível e causa estranhamento já nas primeiras imagens. Obviamente Burton não poderia usar uma razão da TV da época, 4:3, por isso ele escolheu reduzi-la para criar essa impressão de estarmos vendo uma tela menor, que lembra mais uma série ou um filme antigo e assim associar ainda mais o seu filme à série de TV. Enquanto peça artística o trabalho de Burton e de sua equipe é impecável, representando de forma cada vez mais rebuscada o clima pelo qual seus filmes ficaram conhecidos. Em relação a história só poderemos ter um veredicto de sua qualidade quando acompanharmos as sequencias planejadas para o longa.

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O filme pode ser visto, pelo menos até o dia 28/06, no Anália Franco UCI, no Shopping Central Plaza, no Shopping Cidade Jardim, no Cinépolis Largo 13, no Shopping Eldorado, no Espaço Itaú de Cinema, no Espaço Unibanco Pompéia, no Shopping Iguatemi, no Shopping Interlagos, no Shopping Interlar Aricanduva, no Kinoplex, no Shopping Market Place, no Shopping Metrô Tatuapé, no Shopping Metrô Santa Cruz e no Shopping D.
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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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