Amor Impossível

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Dirigido por Lasse Halström. Com: Amr Waked, Emily Blunt, Catherine Steadman, Tom Mison, Ewan McGregor, Rachael Stirling, Kristin Scott Thomas, Tom Beard e Jill Baker.

Um filme sobre como levar dez mil salmões pro Iêmen, somado a um romance entre indivíduos tipicamente britânicos e como o amor pode resolver tudo. Amor Impossível peca em dois momentos já de saída, no trailer que praticamente conta a história inteira e no título em português que tenta fazer um jogo de palavras com o desafio do filme. Inclusive ultimamente eu venho me sentindo cada vez mais desgostoso com os trailers, peças publicitárias que eu costumava adorar. Eu realmente não sei se eles não estão mais cumprindo a sua função de despertar a atenção do espectador para a película ou se sou eu que estou gostando cada vez mais de entrar na sala de cinema munido quase que tão somente pelo nome do diretor e de um ou dois atores do filme. Pois bem, se um filme começa com seu trailer, Amor Impossívelnão começa bem, mas vamos à peça artística, ao que interessa de fato, ao filme. Trata-se da auto-descoberta de dois personagens totalmente diferentes que tenderão a convergir para um comportamento bem compatível, e essa mudança se dá graças a descoberta da fé, se é possível que um milionário iemenita consiga criar um rio repleto de salmões no meio do deserto, por que o abobalhado cientista inglês que mais parece ter saído de um dos quadros do Monty Python não poderia conquistar a secretária workaholic do xeque (Waked) e que ainda por cima namora um herói de guerra?

O filme começa por mostrar o habitat dos dois, Harriet (Blunt) em seu escritório de vidro, Alfred (McGregor) em sua casa com estantes repletas de livros, eles são apresentados em lugares assimétricos pois se trata de onde eles se sentem melhor, onde eles tem a falsa sensação de que suas vidas estão completas. Harriet é muito boa no que faz, mas quando entramos em sua casa o que vemos é uma bagunça de roupas e móveis que reflete a sua vida pessoal, como quando ela implora a Robert (Mison), o futuro namorado, logo antes de transar com ele para que este não a abandone no dia seguinte. Já Alfred tem em sua casa sua segurança máxima, vive em um casamento extremamente estável, conservador, tipicamente inglês, e ele parece gostar disso, no trabalho, no entanto, o que vemos é um sujeito aparentemente desorganizado, deslocado ao receber as ordens de seus superiores. Enquanto ele bebe água no almoço, ela bebe champagne. Temos a contraposição do arrojo da moça com o conservadorismo e a falta de graça que pontua a vida do rapaz

O fim do primeiro ato se dá quando Alfred percebe claramente que gosta de Harriet, após um ato de insensibilidade sua durante uma ligação, mostrado por Hallström com a tela dividida, ela entristecida pelas más notícias sobre seu namorado que fora convocado para ir lutar no Afeganistão, ele preocupado com o trabalho, a indagando sobre questões do escritório. A cena seguinte já mostra a diferença de percepção dos dois acerca da realidade que os cerca, Alfred gosta de Harriet, ele percebe isso e tenta concertar a situação, ela esquece a insensibilidade dele, o vê com bons olhos, o fim seria inevitável, após esse encontro eles deixam a cinzenta e chuvosa Londres para irem para uma ensolarada e seca vila no interior do Iêmen, da tela emana o brilho da nova fase da vida do casal do filme, restava apenas superar os obstáculos para que o amor desse certo, que são o casamento de Alfred, o governo inglês interessado nas boas relações do país com o oriente médio e claro o fato de que pra tudo dar certo, antes é necessário satisfazer a vontade do xeque, que na película se trata de um sábio, um homem que não hesita em investir cinquenta milhões de libras no que acredita ser o certo mesmo parecendo loucura, que não diz o filme inteiro uma frase que não seja de efeito. A todo momento ele interpela os dados científicos de Alfred com questionamentos acerca de sua fé, afinal o filme não se trata de peixes mas sim de amor, e quanto ao amor o senso-comum diz que não há lugar pra deliberações racionais.

O filme ainda tenta criar outros estereótipos, a relações públicas do primeiro ministro que enxerga em todo tipo de ação uma oportunidade pra promover a imagem do premier, o chefe do Alfred que é caracterizado por sua incompetência e falta de traquejo social, a esposa fria e distante de Alfred, o namorado bonito e herói de guerra de Harriet. O ministro incompetente que acompanha a comitiva até o Iêmen, os fundamentalistas que são contra a chegada do progresso no Iêmen… São tantos que corro o risco de esquecer algum. Este tipo de artifício parece apenas inchar a história, sem ganhos reais para a trama.

O filme segue uma fórmula básica, não apresenta nada de novo. Exceto pela maior falta de coerência que se podia imaginar. Pra não colocar um ator representando o primeiro ministro, a sua relações públicas fala com ele através de um programa de mensagens instantâneas, chega a ser ridículo pensar no primeiro ministro da Inglaterra mandando um smilepra sua funcionária.

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O filme pode ser visto pelo menos até 21/06 no Jardim Sul UCI, no Shopping Metrô Santa Cruz, no Espaço Itaú de Cinema, no Kinoplex Itaim, no Playarte Bristol, no Espaço Unibanco Pompéia e no Kinoplex Vila Olímpia.
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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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