Um Texto Enquanto o Dia Clareia

Os primeiros raios de sol acabam de surgir na manhã de domingo. Os católicos já se levantam fervorosos esperando o horário da missa. Os paulistas se aprumam ao pensar no delicioso almoço em família. Os corintianos se resignam na esperança de que mais uma vitória os conforte do dessabor da semana. Os jovens repousam seus corpos extenuados pela euforia da noite. Os namorados acordam para que o prazer do dia complete o prazer da noite. Os pessimistas se lembram que o calendário é implacável em colocar o sufixo “feira” no dia seguinte. Os atletas lambuzam em graxa suas bicicletas e se preparam pra ganhar as avenidas no único dia em que isso é seguro. Os artistas escrevem, pintam e fazem músicas sobre o primeiro dia da criação. O café desce da máquina industrializada pelo poder da pressão. O café ganha a minha caneca e o meu dia acaba de ganhar um sentido. Que enquanto os meus olhos não mirarem outros olhos que em suas nuances se declarem aos meus, todos os meus dias, sejam eles santos ou do diabo, ainda serão dias de eterno conforto desconfortável.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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Uma resposta para Um Texto Enquanto o Dia Clareia

  1. fernandestali disse:

    Até que enfim ganhou sentido…

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