42 aos 24 – parte 6

Eu sei que é meio tarde mas mesmo assim resolvi pedir ajuda pro meu amigo Guilherme, a desculpa, claro, habitava no número de telefone do responsável por marcar minha pele, mas na verdade eu queria saber sua opinião e não o telefone do seu tatuador. Para o Guilherme as coisas sempre pareceram ser fáceis, lógicas, se o montante de benefícios for superior ao de riscos, então faça, fale, siga, acelere, pule ou qualquer outro verbo. Expliquei alguns dos motivos, a ideia, e ele disse “faça”. Simples assim. Ele tem duas, um “Jazz” bem grande no antebraço e uma equação no pulso. Simples assim. As pessoas são donas de seus corpos, ninguém deve influenciar em tal decisão, o seu medo de como as pessoas vão olhar pra você depois da tatuagem não deve entrar nessa equação. A forma como qualquer pessoa vai olhar pra você não deve interferir, repito, qualquer pessoa, exceto, obviamente, você mesmo. Independente de quantos acertos ou erros isso incorrer, ninguém devia valer tanto a pena a ponto de fazer a gente mudar de opinião sobre como nos apresentamos pro mundo. O Guilherme é alvo de grandes conversas, grandes debates, por dois motivos básicos, primeiro por que gostamos um do outro, somos amigos, e segundo por que somos amigos apesar das grandes diferenças que existem entre nós. É sempre bom e reconfortante saber que existem ideias tão diferentes das minhas sendo defendidas de forma tão bem feita como ocorre na maioria das vezes. Sem que me irrite a petulância do defensor das ideias. Ao contrário, sempre me sinto como se ninguém que esteja ao meu redor realmente goste de mim, é interessante se sentir assim, é como se você tentasse desesperadamente chamar a atenção de alguma forma mas essa forma, por mais explícita que seja, simplesmente não faz efeito nas pessoas. Da mesma forma me surpreendo pensando que na verdade o que ocorre é que ninguém de fato conhece os traumas que as outras pessoas podem ter na vida, todos estão preocupados demais pensando em seus próprios problemas, eu inclusive. Pensando nos problemas que eles tem com outras pessoas, que por sua vez tem problemas com outras pessoas e assim o círculo nunca se fecha. O Guilherme e eu temos problemas mas não temos problemas um com o outro, desde o começo as coisas ganharam uma clarividência estonteante, nenhum tipo de metáfora precisou ser usada e é por isso que eu peço sua opinião, ela fala e eu simplesmente me calo e penso sobre o que ele acabou de dizer, depois disso ele canta alguma música, única e simplesmente por que ele faz isso o tempo todo.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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