42 aos 24 – parte 4

Óbvio que eu amo a minha vó, e não é pela simples obrigação, é um sentimento construído de verdade, eu também sei que assim como qualquer pessoa no mundo, conscientemente ou não, ela tem certos preconceitos, até por que não dá pra ficar experimentando tudo antes de se criar uma opinião e as vezes é simplesmente impossível não ter uma opinião sobre algo, seria o ideal, mas as vezes não dá. Claro que também existe o fato de minha vó ser uma mulher conservadora, isso só é ruim no ponto que gera preconceitos, mas isso, no fundo, também não é culpa dela, ela é fruto de uma sociedade e assim como tal não deve ser totalmente responsabilizada por seus atos. Ela também é fruto de uma cidade pequena no interior de minas, onde não havia acesso fácil à informação, mas somente aos vícios do mundo, ela nunca se viciou, mas viu outras pessoas o fazerem, e tal coisa é complicada. Isso faz com que fechemos a porta pra como certas coisas que parecem ruins poderiam ser boas. Eu não a culpo por não gostar da ideia de me ver andar com um borrão desenhado no corpo, muito menos pelo fato de não apoiar meu interesse contínuo em álcool, rock, cabelo grande e noitadas sem fim, se eu pudesse a levaria comigo, mas sei lá, tem certos momentos em que é preciso cair na real e simplesmente visitar o cabeleireiro e me sentar pra um café da tarde com biscoitos mineiros e conversas calmas sobre como as coisas eram diferentes no passado. E é interessante perceber o quanto isso pode ser produtivo, são com essas conversas que eu entendo por que ela é da forma que se apresenta hoje, eu percebo claramente que, antes de tudo, ela sempre pensa em fazer a coisa certa, existe uma bondade nisso tudo, uma bondade dentro de sua lógica, ainda mais que lógicas nunca funcionem da mesma forma pra todas as pessoas, elas ainda estão lá e é louvável ver que algumas pessoas seguem aquilo a que se propõem, e é nesse ponto que eu me sinto tremendamente bem, sem saber minha vó me encoraja a seguir minha própria lógica, a tentar ser fiel ás coisas que acredito e não me deixar levar pela minha preguiça, preguiça que, inclusive, nunca habitou o seu dicionário, minha vó tem setenta anos, ainda faz todas atividades que a vi fazer desde que me conheço por gente e ainda produz bordados lindíssimos que são verdadeiras obras de arte, e mesmo que os médicos digam pra ela ir com calma ela insiste nas tais atividades e mais uma vez é fiel às suas convicções. Se eu me sinto bem pra fazer algo, por que não faze-lo? Então faça, vó!

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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