42 aos 24 – parte 21

Uma noite quente, claro, estamos em pleno verão brasileiro, na capital econômica do país, lugar cheio de prédios, de cimento, de calor. Foi quando eu resolvi ir ao tal endereço com um pedaço de papel no bolso desenhado um 42. Se houvesse tempo e se houvesse coragem aquele seria o momento. Ao chegar ao local fui bem atendido e perguntei se seria melhor diminuir ou juntar mais os números, a resposta foi não, primeiro por que não iria ficar mais barato e segundo por que a distancia estava boa, concordei, parte interna do braço foi a escolha, discrição era o que eu tinha em mente, descobri que pagaria duzentos reais pra sentir dor, sei lá qual o nível de dor, mas sabia que ia senti-la. A espera foi exatamente como em uma sala de espera de dentista, enquanto as pessoas passam por você e a secretária te olha com olhares fortuitos o abrir e fechar da porta revela aquele som de motor pequeno, característicos das agulhas tatuadoras e das brocas dos dentistas. Eu estava bastante nervoso, não pela dor, mas pela escolha, a partir do momento em que a agulha tocar meu braço eu estarei mutilado pra sempre, goste ou não aquele quarenta e dois nunca mais vai fugir do meu braço, da minha pele ou do meu campo de visão periférica. Quando chegou a hora eu simplesmente não pensei no assunto, liguei no piloto automático e decidi apenas obedecer aos comandos do tatuador, puxei a manga da camisa, recebi o decalque, aprovei, deitei na maca e o que se passou foram vinte minutos alternados entre dores intensas e arranhões superficiais. Deu tempo de pensar em bastante coisa e durante todo o processo eu olhei pro meu braço apenas duas vezes, por nenhum motivo em particular, curiosidade apenas. Ao fim da sessão eu havia gostado do resultado, ainda que estivesse sangrando, inchado, vermelho eu havia gostado do resultado.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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Uma resposta para 42 aos 24 – parte 21

  1. Isabel disse:

    Agora é a minha vez de dar os parabéns! Sem delongas, ou expressões com significados que eu nunca parei antes pra refletir, feliz 42, feliz 24 e feliz aniversário.

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