42 aos 24 – parte 17

A minha prima Carol tem dezessete anos e desde que completou quinze que vamos nos aproximando, naquela época eu tinha vinte e um anos e a partir de uma certa idade essas diferenças deixam de existir, as pessoas meio que se equilibram e passam a se interessar umas pelas outras apenas pelos seus gostos. Nós tínhamos um gosto em comum naquela época, bagunça! Eu tinha acabado de terminar o meu primeiro namoro e precisava mais do que nunca de quantidades torrenciais de risadas pra tentar fazer alguma coisa valer a pena, como vocês viram não foi um término fácil pra mim e alguma coisa precisava ser feita. Foi na sua festa de quinze anos que eu também reencontrei outra prima, Milene, a quem não via fazia algum tempo. Não me lembro muito bem a sequência dos fatos mas sei que passamos todo o fim de semana juntos, festas atrás de festas, eu, Carol, Milene, Tatiana (outra prima(sim, tenho muitas!)) e a Val, amiga da família. Esse fim de semana teve um efeito incrivelmente renovador sobre mim, eu realmente me senti bem por vários dias seguidos depois de muito tempo, eu definitivamente consegui reunir algumas forças pra seguir em frente. Desde aquele novembro que a Carol é alguém presente em diversos momentos de auto-indagações profundas e festas homéricas, e é a Carol quem mais me incentiva na família pra eu fazer a minha tatuagem, ela também quer fazer uma, já pediu aos pais, e entre sins e nãos ela continua com a pele sem sofrer danos. Ela me incentivou bastante a respeito e eu me sinto orgulhoso de por várias vezes a incentivar em coisas que o resto da nossa família não vê com bons olhos, nada ilícito, eu insisto, coisas simples como abandonar a igreja, comprar um violão e se mudar pra Argentina. Talvez não sejam tão simples, mas apesar dos pais da Carol não me verem como, como poderíamos dizer, uma boa influencia, eu sei que eles me adoram, o irmão da Carol, Léo, me adora particularmente por que pra todo lugar que eu viajo eu trago uma camisa do time de futebol local pra ele, é uma de suas coleções preferidas e ela depende diretamente de mim, logo eu acabo cooptando assim seu apoio em minhas empreitadas, e é sempre assim, eu que durante a maior parte da vida sempre acabei sendo adorado mais pelos pais dos meus amigos do que pelos meus amigos, acabo por arrebanhar os bons olhos da nova geração e os olhos tortos dos antigos pais e daqueles novos pais, que outrora eram meus amigos. Apesar de termos uma mesma sintonia, eu, Carol e Léo, eu me sinto velho perto deles, do alto dos meus vinte e quatro anos, mas deve ser alguma coisa psicológica.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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