42 aos 24 – parte 14

Eu já visitei a Inglaterra duas vezes, a primeira em 2009 e a segunda em 2011, as duas vezes no verão e nas duas vezes estava um frio terrível. Mesmo tendo ido lá duas vezes a soma de dias em que eu estive na terra da rainha não passa de seis. Fiquei mais tempo na Escócia, mas em Londres eu fiquei pouquíssimos dias, e o dia que mais me deixou feliz foi o segundo dia da segunda vez que eu fui. Dessa vez havia ido sozinho, logo não precisava me preocupar com passeios clichês como o Palácio de Buckingham nem com o Big Ben, fui aos lugares que com certeza só eu iria gostar. Fiquei de frente ao prédio da BBC Radio, de onde o U2 fez um show para o público que estava na rua no fim de 2009, andei pela Baker Street, pela Oxford Street, tomei chuva, andei mais pela Regent Street, desci a Park Lane dentro do Hyde Park, tomei mais chuva, fui até o Ritz, onde foi rodado o filme Notting Hill, andei pelo Soho, fiz compras em Convent Gardem e na Carnaby Street, conheci a loja do Liam, andei pela Fleet Street, tomei mais chuva, cheguei ao rio Tamisa, achei uma feira de livros por ali, peguei o metrô e tomei um pint em um pub pra descansar do dia extenuante. No dia seguinte, meu último, fui conhecer Abbey Road, a rua e o estúdio, antes de pegar o avião de volta. Fui já de mala em mãos. Ao chegar parei em frente a faixa, chorei, atravessei a faixa, fiquei de frente pro estúdio, assinei a parede, olhei, olhei, atravessei novamente a faixa e Here Comes the Sun provocaram mais lágrimas quando eu dei as costas fui andar de volta para a realidade, para o St. John’s Wood Tube Station, de onde pegaria o trem para o Heathrow. Na estação de metrô comprei alguns postais e uma camiseta temática, larguei a carteira lé e fui embora. Só dei por falta da carteira quando fiz a primeira baldeação, desesperado eu não sabia se realmente havia esquecido a carteira na loja ou havia perdido no chão, felizmente a primeira opção foi a correta e quando eu voltei lá estava a carteira, com todas as libras, reais, euros e dólar que haviam nela antes de eu perde-la, o país de Douglas Adams havia sido gentil comigo. Peguei a carteira e parti atrasado pro aeroporto. Graças aos fones de ouvido e a minha distração não percebi quando devia trocar de trem novamente, novo atraso e só fui chegar ao Heathrow quinze minutos antes do meu voo. Desesperado e tendo perdido o voo não sabia se teria outro ou se teria que dormir no saguão como aqueles turistas malfadados tentando fugir do inverno em aeroportos fechados por nevascas. Haviam duas opções, um voo duas horas mais tarde, lotado, ou outro de manhã cedo, eu deveria seguir até a sala de embarque e aguardar por alguma desistência ou pela manhã seguinte. Nesse momento eu percebi o quanto a Inglaterra também gostava de mim e não queria me deixar ir embora, apesar de lisonjeado, não é assim que tem que ser, uma pessoa feliz é feliz em qualquer lugar do mundo, o mesmo para alguém triste. A latitude em que eu habitar não vai mudar meu humor, provavelmente por alguns dias sim, mas não de forma definitiva. Felizmente alguém também perdeu o voo da tarde e eu consegui embarcar em seguida. Eu não sei por que eu contei essa história, talvez por que as principais referencias ao meu 42 sejam de lá, a última também é.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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