42 aos 24 – parte 12

Durante toda a minha vida eu tive apenas uma namorada. Eu não sei se a amei de fato, eu não consigo me lembrar pra falar a verdade. Eu na verdade não sei se já amei alguma garota apesar de meus amigos mais próximos e mais antigos afirmarem categoricamente que sim. Eu tive essa uma namorada, mas eu poderia dizer pras pessoas que tive 42 e assim justificar a tatuagem, vai ser mentira, mas no fundo era isso que eu queria, eu queria ter amado 42 garotas, namorado 42 garotas, transado com 42 garotas ou mesmo beijado 42 garotas. Eu não me lembro de todas pra fazer as contas (ou simplesmente não quero fazer as contas) mas o numero de garotas que eu beijei não chega a 42, talvez sequer chegue a 24, a idade que completo hoje. Eu queria ter tido essas 42 garotas por dois motivos, primeiro por que eu acho que a vida tem que ser assim, séria, comprometida, mas com o maior número possível de experiências, uma de cada vez. O outro motivo é que o que eu senti por essa primeira namorada, independente de como se nomeie, foi algo muito bom, eu me lembro muito bem de gostar tanto dela que eu, secretamente, com apenas 20 anos e um emprego infeliz já pensava em passar o resto da vida com ela, eu queria mesmo isso, o único incomodo que eu tinha era o fato de ela ser a primeira, da minha falta de experiência, ela teve dois namorados antes de mim e até onde eu sei, ela já teve dois depois de mim, eu só tive ela e por isso passar o resto da vida com ela era o que eu queria mas não era o que parecia certo. Eu não sei se é algum tipo de deficiência que eu tenho mas mesmo ela desistindo de mim tantas vezes eu nunca desisti dela de fato, mesmo com esse sentimento ambivalente. Antes do fim derradeiro ela havia terminado comigo outras duas vezes, eu, apesar de cogitar em alguns momentos, nunca terminei com ela, nunca desisti dela, sempre imaginei que as coisas podiam ser resolvidas, que se as pessoas se sentarem e conversarem elas iriam resolver sua diferenças, afinal, nesse caso, havia um mínimo de interesse mútuo nisso. Eu não quero descrevê-la como ela não é, ela gostava de mim, ela me entendia na maioria das situações, mas ela disse que me amava cedo demais e sem certeza suficiente e isso me ludibriou, ela não fez isso conscientemente, mas o meu espanto e tristeza quando acabou e da forma como acabou fez com que as coisas perdessem sentido, perdessem magia. Eu estou aqui, completando 24 anos e ainda faltam 41 namoradas pra eu atingir meu objetivo, mas a bem da verdade a percepção que eu tenho é o de que esse número nunca mais vai se alterar, conscientemente eu gostaria que ele se alterasse, inconscientemente eu não sei, eu não sinto mais falta dela já faz algum tempo, eu não espero revê-la já faz mais tempo ainda, mas eu continuo sem conseguir me expressar, sem conseguir mexer as peças certas no tabuleiro, continuo impaciente e inepto, continuo pensando 42 vezes antes de mandar uma mensagem que seja e isso acaba me deixando em um humor tal que só resta voltar pra cama e dormir. No fim das contas eu acho que ela não teve nada a ver com isso, esse sou só eu sendo eu mesmo, ela simplesmente venceu essa inaptidão e acabou sendo mais que uma troca de olhares, o mérito de começar isso foi todo dela e eu sinceramente não sei se mais alguém terá o mesmo sucesso.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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