Texto 4 de 2012

Quando eu acordei haviam cabos espalhado pelo quarto, eu não sabia por que. Sabia apenas que junto com as estrelas a noite anterior trouxe revelações que de tão sarcásticas eram terríveis. Notícias das quais eu reagi muito pior do que eu aparentei reagir no momento em que fiquei sabendo. Obviamente o álcool em meu sangue deu outra proporção ao fato, mas na manhã seguinte o gosto ainda era muito amargo. Durante a madrugada eu me lembro de lamentar, me enfurecer, achar que não havia mais saída, que o melhor seria a morte, a morte dentro do meu quarto, exatamente o quarto que mais me viu vivo. E como seria tal morte? Os cabos no chão fizeram sentido. A ideia era escolher o mais grosso deles, envolver o meu pescoço e tentar de alguma forma fazer com que meus pés saíssem do chão. Eu não cometi suicídio, caso contrário estas linhas não existiriam, mas dessa vez eu realmente quis aplicar um ponto final onde sempre existiram reticências.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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