Texto 02 de 2012

E se o mundo fosse um lugar tão bom de viver, mas tão bom que nem houvesse suicídios, as pessoas iriam viver em completa alegria e eu, do alto da minha magnificência iria parar de ficar preocupado com o que fazer pra tornar esse mundo melhor. E se o mundo não fosse esse lugar tão bom assim mas do mesmo jeito, eu, do alto da minha ignorância não desse a mínima pra como tentar fazer o mundo ficar melhor. Parece, digo, é bem provável que os “e se…” que muita gente diz que não entra em campo, na verdade influencia mais a vida das pessoas do que elas imaginam, influenciam nas próximas escolhas. O “e se eu tivesse continuado no emprego” me faz não querer largar o próximo, independente da mediocridade dele, independente dos planos que eu faço pra essa vida cheia de “e se…”. No fundo no fundo o que governa a vida das pessoas é esse medo, essa insegurança, essa falta de vontade de se arriscar cada vez que um risco calculado não se mostra tão calculado assim, cada vez que a gente perde dinheiro, tempo. A pergunta “e se eu tiver escolhido a garota errada?” não me faz ter certeza que a outra era a certa, mas é essa dúvida que faz a gente crer que a vida não foi uma falha completa, é melhor crer que eu tinha cinquenta por cento de chance de acertar, quando na verdade, baseado em você, digo, em mim, dá pra ver que eu atraio um certo tipo de pessoa, de sorte, de oportunidade, logo, é bem provável que a chance de a opção que eu não escolhi ser a certa beire a zero. E a opção certa na verdade não existe enquanto eu a quiser, a opção certa é só uma construção baseada na maleabilidade da aceitação a que eu me submeto, no meu grau de perfeccionismo, mas… isso tá parecendo um ensaio, ou uma coisa tão técnica que nem remotamente lembra o que eu tinha na cabeça antes de começar a digitar. E se eu publicar isso desse jeito, que muito provavelmente é o que vai acontecer, as pessoas que lerem provavelmente vão parar mais ou menos por aqui, nessa área onde o texto entra numa metalinguagem chata e cansativa, e essa escolha vai fazer com que eles percam a última frase do texto, que em minha opinião é a melhor. Na verdade é uma frase bem babaca, um pouco intolerante e meio piegas, na verdade mesmo eu to falando mal da frase por insegurança, assim depois, quando as pessoas gostarem elas virão me dizer que a frase não é tão ruim assim, e essa é uma forma de eu vencer um pouco mais a minha insegurança, mas a insegurança só é vencida com a experiência, é por isso que todo mundo é inseguro quanto a morte, até o religioso mais fanático, se ele morreu seguro de alguma coisa é por que ele atravessou a linha da loucura.

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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