Texto 01 de 2012

Não que seja exclusividade minha, mas é que da minha parte é como se fosse único. Não que seja uma tentativa de saber mais que todo mundo, mas é que da minha parte eu sei. Não que eu esteja amando mais da metade das pessoas o dobro do que elas merecem, é que se a gente, por um segundo, de alguma forma, mudar não aquilo que se vê, mas como se vê aquilo que se olha, então quem sabe teremos alguma chance de se deixar influenciar pelas pessoas certas e não pelas pessoas de sempre, não que sejam sempre as mesmas pessoas, mas são sempre as pessoas de sempre, daquele jeito meio “de sempre”. Não é pra ser bonito, é pra ser prático, objetivo, trivial. Não que ser prático e objetivo faça com que seja trivial, mas é lá onde querem nos jogar de qualquer jeito, então que seja, aceitar a trivialidade já é ser trivial. Por isso que sempre existe um sorriso no rosto para as horas alegres e uma lágrima rolando quando seu pai diz que vai comprar cigarros e nunca mais volta. É por isso que eu simplesmente não tenho uma mínima lembrança dela que valha a pena, com que fizesse que tenha valido a pena todo aquele esforço, todo aquele estomago revirado. E as vezes eu fico me perguntando se foi uma espécie de amnésia traumática, se eu quis não me lembrar ou se de fato não existiu, como se isso fizesse alguma diferença, e quem se importa com isso? No fim das contas só vão sobrar fotografias que não foram tiradas em lugares que nós de início não queríamos mas no final acabamos visitando e gostando. No fim das contas só sobrarão os momentos em que houve uma explosão violenta das sinapses, e nos lembraremos desses momentos de duas formas, uma mais fácil, mais suscetível de esquecimento também, mas no geral mais fácil. A outra é pelo fardo que você carrega pelo resto da vida, e esse fardo tem que alimentar, trocar fralda, fazer poupança pra faculdade e previdência privada pros dias difíceis. Uma se leva pra sempre apesar da volatilidade, a outra se esquece de você apesar de o governo nunca deixar você se esquecer dele ou dela. Algumas bilhões de vontades de ser feliz oriundas de outras milhões de vontades de ser feliz reunidas no mesmo pequeno e por ora inóspito espaço é algo que definitivamente não pode dar certo. E eu abri mão de tentar ser feliz, até por que eu já sou, não preciso mais ficar tentando, eu sou por que eu conheço a França, assino a Cult e adoro strogonoff, simples assim, ao invés de tentar decidir o que eu quero ser da vida, de ficar quebrando a cabeça entre a faculdade de direito, de ciências sociais e de engenharia, eu simplesmente aceito o que quiseram pra mim, e não quiseram que eu fosse a rainha da Inglaterra, longe disso, o que quiseram pra mim é que eu fosse o mais idiota dos idiotas e que morresse aos trinta anos, que seja, fim de vida, de preocupações, só me resta futebol com amigos, cerveja na beira da piscina e churrasco de fim de semana, isso tudo sem me preocupar com os problemas da humanidade, sem nem me dar ao trabalho de ter problemas, sem nem me dar ao trabalho de ter trabalho. E afinal, pra que coisa melhor?

Anúncios

Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
Esse post foi publicado em Texto e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s