A Melhor Forma de Contar uma História

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Recentemente assisti o The Other Guys (Os Outros Caras). O que me chamou a atenção de início no filme foi o elenco, além desses três aí da foto (Will Ferrell, Steve Coogan e Mark Wahlberg) tem também Eva Mendes, Michael Keaton e uma participação especial do Derek Jeter. Há também Samuel L. Jackson e Dwayne Johnson no elenco, mas o que poderia ser a perdição do filme se torna num do seus mais poderosos trunfos (pelo menos pra mim que não sou chegado em filmes de ação), os personagens desses dois atores morrem logo no início em uma cena fantástica, frustrando aqueles que esperavam por explosões e mais explosões como a da cena inicial, onde eles causam 12 milhões de dólares em prejuízos aos cofres públicos para apreenderem apenas 130 quilos de maconha. Esse é mais um filme de comédia policial, mas a novidade é que agora os vilões não são os traficantes, como o policial Terry Hoitz (Wahlberg) insiste em dizer que na verdade são, os vilões nessa história são os grandes bancos de investimento, principais culpados pela recente crise global, que são materializados na figura de David Ershon (Coogan), um responsável por um fundo de investimentos coletivo que perde a bagatela de 32 bilhões de dólares e agora tem que arrumar uma forma, lícita ou ilícita, de preencher o rombo. Graças a um problema com licença para andaimes descoberta pelo policial mais burocrata da NYPD, Allen Gamble (Ferrell), eles resolvem investigar os negócios de Ershon. Pois bem, é uma teia simples mas honesta. O diferencial desse filme é o assunto e não a abordagem, e o humor intenso nas cenas onde ele é presente (várias vezes me vi gargalhando durante o filme). Mas eu não estou falando desse filme por causa de sua estrutura ou por como ele é engraçado. Lá pelos 85 minutos de filme a dupla de policiais Hoitz e Gamble capturam Ershon (foto acima) e o levam para um apartamento para que ele explique a empreitada que fará para cobrir o rombo, quando Hoitz ordena a Ershon que conte todo plano o personagem de Coogan começa dando uma aula de como se contar uma história em apenas trinta segundos, segue a fala:

I think the best way to tell the story is by starting at the end, briefly, then going back to the beginning, and then periodically returning to the end, maybe giving different characters’ perspectives throughout. Just to give it a bit of dynamism, otherwise it’s just sort of a linear story.

(Eu acho que a melhor forma de se contar uma história é começando pelo fim, resumidamente, e então voltar para o início. E retornando ao fim às vezes, talvez dando mais perspectiva aos personagens para dar mais dinamismo, ou ficará uma história linear(chata)).

O filme não segue esse formato, mas este é um modelo muito utilizado para se escrever um roteiro, ou um livro, ou pra se contar uma história qualquer. Eu realmente não sei se essa é a melhor forma de se contar uma história ou se foi uma crítica do diretor Adam McKay aos filmes que seguem esse formato, ou talvez aos filmes europeus, afinal ele (que também é o roteirista ao lado de Chris Henchy) coloca essa fala na boca de um vilão que tem sotaque inglês, porém um vilão extremamente carismático, o que suscita dúvidas, eu também não me lembro de muitos filmes europeus que seguem essa linha, o que me faz crer que na verdade essa parece ser uma característica Hollywoodiana, e na minha opinião aí reside a crítica da fala, aos Amnésia (ápice do se contar uma história de trás pra frente) da vida.  Enfim, é um filme engraçado, crítico (nos créditos finais tem uma série de dados sobre empresas que ficaram famosas por suas fraudes financeiras) e que definitivamente me ganhou nessa fala. A ultima cena do filme é com a dupla de protagonistas se queixando de ter que investigar o Goldman Sachs!

Se você pretende ver esse filme, aguarde até o fim dos créditos finais! 

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Sobre drepo

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha.
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