B

A senhora se lembra da fila de crianças que se formou pra receber o conteúdo daquelas duas sacolas de brinquedos usados que juntamos somente com os que eu tinha em casa? A senhora me abriu uma porta pra conhecer esse outro mundo que existia bem ali, na periferia de Almenara. A forma como a senhora organizava todas as brincadeiras, todas as minhas visitas, todas as minhas vontades. Como me levava domingo após domingo na igreja e depois na praça, sempre nessa ordem. Como eu corria de um lado ao outro, brincava nos bancos e nos gramados, no chão cortado, e por fim tirava uma foto apoiado em uma árvore, sei lá quanto se cobrava, mas foto era novidade, né, então tinha que tirar. E as receitas que fazíamos, cookies, biscoitos, sempre doces, até a bordar a senhora me ensinou, mas não seguiu com isso por que bordado era “coisa de menina”. Matérias, coisas simples como matemática, português, estudos sociais. A senhora me ensinou a contar de um até dez, e quando encontrávamos um conhecido me pedia, conta de um a dez pra ela ver, e eu dizia, “um-dez”, com preguiça de falar todos os algarismos. Fogos de artifício na porta de casa, a fogueira de São João, cada casa tinha a sua, e ainda tinham os traques, bombinhas, estala-salão, chuvinha, enraba-moleque, íamos comprar sempre na véspera, eu já perdendo a esperança por conta da minha falta de ar que acometia sempre que inalava muita fumaça, mas a senhora não resistia né, me deixar sem fogos em dia de São João? Nunca! É o mesmo que não ter canjica, pé de moleque, paçoquinha, como a senhora gostava de paçoquinha! E foi numa véspera de São João que a senhora se foi, com tanto doce gostoso pra comer. Mas sabe aquele dia, o que a gente levou meus brinquedos pra distribuir pras crianças pobres? Esse dia tá dentro de mim até hoje, ele me ensinou muito mais que muita aula de sociologia, antropologia, política, filme do Glauber Rocha, do Ken Loach, do Jodorowski, do Tarkovsky, muito mais do que muito livro do Graciliano, do Guimarães Rosa, do Drummond, sabe por que? Por que aquilo foi de verdade, aquilo aconteceu comigo, comigo e com a senhora. Tudo o que eu sou hoje, ou grande parte do que eu sou hoje, começou a acontecer naquele dia. O problema foi que com o tempo eu fui deixando outras coisas que não importavam tanto terem tanta importância quanto esse dia, fui deixando de ser eu, sabe? A senhora passou vinte e dois anos na cidade grande e nunca deixou de ser a senhora, alguns poucos anos por aqui e eu já não sabia mais quem era eu, tudo bem, eu era mais novo, mas a senhora estava por perto, toda vez que eu me esquecesse disso, era só pegar o telefone, pegar um ônibus municipal e depois de um tempo até pegar o carro mesmo, mas eu não fazia isso, a senhora tinha que me ligar perguntando por que que eu tinha sumido, a senhora não tem ideia de como me dói lembrar disso, dói tanto que outro dia, voltando pra casa, no comecinho aqui da Mãe dos Homens, eu vi que tinha aberto uma loja de doces, e demorou pra aceitar que agora não ia dar pra ligar pra senhora pra avisar da loja, pra avisar que quando a senhora viesse aqui em casa a gente ia lá comprar uns doces, como quando a gente ia no mercadinho aqui em Gopouva comprar amendoim com cobertura de chocolate e pirulito. E quando a gente saia, eu, criança, dava meus passos apressados, uma pressa tola de viver, de chegar, e a senhora decretava, se for pra correr a gente volta agora, eu não entendia, mas era por que eu não entedia que correr era andar de pressa, e eu diminuía o ritmo mesmo assim, dava a mão pra senhora e a gente ia numa boa. Sabe, eu não ando mais tão depressa, na verdade eu ando bem devagar, mais do que devia, por vários motivos, mas eu acabei culpando a senhora também, culpei meu luto e isso não é justo, não com a senhora, não comigo, não com ninguém. Por isso vó, eu deixo a senhora ir, a senhora já exerceu em mim todas as influências que podia, essa última não é boa e não pode continuar, eu deixo a senhora ir, deixo a senhora descansar como deve, seu trabalho aqui tá feito, não importa se bem ou mal, tá feito, eu quero que a senhora deixe de ser um motivo pra qualquer coisa e passe a ser só uma lembrança, das melhores que eu tive, ou a melhor que eu tive. Sabe, as vezes, no auge da rebeldia, eu acho que os pais são quem mais estragam os filhos, mas são os avós que salvam. Meus pais não me estragaram não, claro, mas a senhora me melhorou muito, e só melhorou, não há nada em mim que seja da senhora que não seja bom, e isso não pode mudar agora. A senhora não existe mais como possibilidade, só como lembrança, é difícil até mesmo pra mim aceitar isso. Nenhuma existência é em vão e a sua fez tanta diferença pra mim quanto a soma de todos os meus dias.

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27 aos…

Chego aos meus vinte e sete anos como um mentiroso, hipócrita, sem perspectiva de futuro, acuado pelas decisões impostas por uma situação ou por uma falta de vontade. Chego desacreditado, soturno, fingindo brigar por uma causa que finge existir. Exatamente o contrário de outro 4 de março, o de 1973, quando a União Popular, contradizendo os prognósticos midiáticos, conseguiu conter o avanço conservador no congresso chileno e impedir que a oposição atingisse os dois terços da casa, número que outorgaria a destituição por via constitucional do presidente eleito, Salvador Allende. A partir desse pleito desenrolou-se a conspiração que, seis meses depois, assassinou o presidente e instaurou o regime militar no Chile no dia 11 de setembro de 1973, acabando assim com a democracia mais duradoura da América Latina. Um golpe que rogava ter apoio popular mas que, na verdade, tinha única e exclusivamente o apoio dos governo dos Estados Unidos da América e de uma parca elite agrária e industrial. O povo chileno, ao contrário do que dizia a ditadura, do que pregava a imprensa, e de mim, resistiu ao máximo à derrocada de seu poder e esteve ao lado de seu presidente até um dia antes do golpe, numa gigantesca manifestação popular – manifestação essa que foi esmagada nos anos seguintes por crimes cometidos pelo general Pinochet. Quinze anos antes do meu 4 de março e 42 anos atrás o povo chileno dava um exemplo de democracia e efervescência popular, é à esse exemplo que devemos nos apegar em dias como esses, em que convivemos com uma mídia golpista da mesma estirpe da de outrora, e em que convivemos com as mesmas manifestações de violência extremista perpetradas pela direita. Viva o povo chileno! Viva quem resiste, debate, escuta e fala dentro das suas iniciativas, pautadas pela vontade ideológica, pois esses são os princípios democráticos. E hoje, mais do que nunca, é primordial que se relembre quais são esses princípios.

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Josué

Lady Letícia tirou o cigarro da boca e baforou na cara de seu amado. Lady Letícia não era uma lady e aquele a quem ela dirigiu a baforada não era alvo de seu amor. Josué nunca gostou de festas à fantasia, muito menos quando recebia baforadas na cara, ainda mais de quem pressupunha haver um esboço de estímulo para o que quer que seja, e só isso importa, o que quer que seja, pensava ele em meio às baforadas da área de fumantes. Ela deveria ser mantida sob sua asa já que era só com ela que ele conseguia conversar, era só dela que aguentava baforadas, pigarros, deslumbres, dias inteiros de uísque, Mélanie Laurent (filme e música) e amigos imaginários, debates acerca de uma causa perdida e sua personalidade insalubre. Personalidades, tais quais times de futebol, devem muito, não sabem muita coisa e tem torcidas insanas. Personalidades matam, mentem, conseguem o que querem, cospem, dormem na rua, andam de metrô, publicam livros, artigos, cartilhas, discos e brigam. Personalidades tem opiniões, e isso Josué não suportava. No fundo Josué, de tantos amores perdidos, não sabia mais como conversar, e por isso travestia sua misantropia de ódio ao culto narcisistico. Josué nunca soube quem fora Narciso. Josué era um filisteu, um moribundo, um amante de Letícia. Letícia era alta, esbelta, orgulhosa de seu busto largo, sua coxas morenas, sua pele sedosa, sua personalidade intricada, sua inteligência abundante, seus olhos verdes, sua capacidade que abstrair a razão da indecisão dos outros, de fazer os outros crerem em algo novo, de crer em algo novo, Letícia almejava. Josué delirava. Letícia queria, Josué desejava. Após apagar o cigarro Josué se afastou, foi procurar algo que beber, Letícia foi pra perto dele, ele foi pra perto de si. Já com o copo na mão sentiu de novo aquele resquício de confiança que lhe alcançava os calcanhares quando a cabeça já estava cheia, Letícia olhou-lhe de soslaio, balbuciou algo no ar, Josué não captou, o baile bailava entre os dois, olhos de um lado, evasivas do outro, após desviar o olhar, Josué voltava mas já não os tinha mais, não os tinha não por que sabia que não os queria, mas por que sabia que olhar era uma comunicação avançada demais pra sua dialética curta. Tomou então a varanda, Letícia não o seguiu, culpou essa falta dos passos dela por sua miséria da noite, pura mentira. Ao chegar à varanda avistou uma lua brilhosa, cheia, em seu perigeu, confidenciou a si mesmo como ela estava linda. Imaginou uma canção perfeita para aquele momento, uma ocorreu-lhe, imaginou-a até onde conseguiu, depois percebeu que era triste demais e desviou o olhar para baixo, fitou a grama, as rosas, margaridas, acácias, pés de goiaba, a mangueira no fundo, uns transeuntes na frente, uma moçoila de cabelos encaracolados atrás, ruivos, não se via o rosto, não se via quem poderia ser mesmo alguns minutos depois, passavam os garçons, roubava-lhes os copos e nada dela virar. Mirou o lago, era lá longe, inteiro prateado, vestia-se de gala na noite que mais podia chegar perto de sua amada. E vibracejava. Ondulava marolas que iam até à beira e depois voltavam ritualisticamente. Ritualisticamente Josué foi buscar outro copo do que quer que fosse. Cerveja, intencionava, conseguiu vinho tinto. De costas para ele um amigo antigo, percebeu pela voz e foi atrás, cutucou-lhe o ombro e teve a surpresa da surpresa do amigo, abraçaram-se, ele então lhe chamou até a um canto onde estavam os seus, foi. Lá conheceu sua namorada, uma versão mulata da Sigourney Weaver. Após cumprimenta-la ensaiou a comparação quando ela lhe apresentou uma ruiva, era o vestida errado mas era ruiva de cabelos cacheados, mas era o vestido errado, isso não lhe saia da cabeça. Olá tudo bem? Não é esse o vestido. Me chamo Josué. Era de um amarelo desbotado. Vou bem. Como se conheceram? Era decotado nas costas, mais longo que esse. Sou amigo de longa data, escola. Talvez à luz da lua, talvez seja eu fugindo do que eu quero, não à ouvindo para que possa sair daqui o mais rápido possível, ir atrás de Letícia, onde está Letícia? Prometi que a escoltaria pra casa, meu amigo me olhou acabando de contar o motivo que lhe trouxera àquele lugar, ri debochando, olhei pra ruiva, ela me olhava, não era o mesmo vestido mas ela me olhava e isso bastou para que perguntasse seu nome novamente apesar de poder jurar que já o tinha ouvido, ela disse Fernanda, associei com a Montenegro para não esquecer e de fato não esqueci. Percebi que poderia perder mais alguns minutos ali antes que Fernanda conhecesse um pouco da minha personalidade e se afugentasse para perto do jardim, onde talvez ainda pudesse estar a minha ruiva. Tentei a todo custo não ser eu mesmo, falhei miseravelmente, Fernanda gostou, riu, olhou de lado e depois de soslaio pra mim; não fazia ideia do que isso significava. Contei sobre minha faculdade, meu último porre, minha assiduidade em locadoras de filmes, meu destempero em certos sentidos e, acreditem, mesmo assim Fernanda falou mais do que eu, falou sobre suas viagens, seus gostos, seu cheiro preferido, a casa em que viveu no interior, uma porção de namorados que teve, aqueles que largou, aqueles que a largou, aqueles que não via, que era amigo ainda, titubeou em algumas das informações, bebeu, olhou de lado, bebeu, olhou de lado, os olhos de soslaio tornaram-se menos frequentes que os olhares de lado, conta simples, pensei. Josué desculpou-se sobre algo e foi em busca de um copo de cerveja, achou um e bebeu, outro e bebeu, foi ao banheiro, demorou muito mais do que precisava, pensava sobre a vida, sobre o por que daquilo tudo, de estar só em uma festa cheia de gente, de querer algo que nem sabia se queria. A mão apoiava o corpo na parede do banheiro, a outra mão segurava o falo que não urinava já havia alguns segundos, ou minutos, não se sabe ao certo, percebeu isso e dirigiu-se pra fora do banheiro, lavou a mão e não entendeu o por que. Já pensava antes de cada passo, dirigia-se com cautela, sem se machucar, quanto mais se perde a consciência mais ganha em autopiedade. Saindo do banheiro viu Letícia, animou-se com a possibilidade de conversar novamente mas viu que a menina já ia embora, sua mãe lhe ligara oferecendo carona, ela aceitara. Perguntou medrosamente se podia acompanha-la até a porta do recinto, ela assentiu com um sorriso consternado, na porta ele indagou se não queria mesmo que a levasse, ela argumentou que nem ele mesmo conseguiria se levar e quase intimou que ele fosse com ela. Josué a convenceu falando de Fernanda. Ela implorou que ele conseguisse uma carona, um lugar onde encostar. Josué percebeu durante a conversa como gostava de Letícia, como era bom ter alguém que ainda que de uma forma incólume se importasse com ele, depois pensou o mal da humanidade e odiou Letícia mais uma vez. A mãe dela chegou, ela tomou o carro e foi embora mais uma vez. Ele voltou pra dentro, um pouco da alcoolemia passara, fome era o que sentia naquele momento, entre uma bebida e uma empada de palmito Fernanda lhe alcançou, eles iam para a casa do amigo, perguntou se ele não queria ir também, haviam comprado algumas bebidas antes da festa e talvez fosse um bom fim de noite. Josué cogitou fortemente, quase que desesperadamente ir para a casa do amigo na companhia de Fernanda, quis mais do que tudo na vida ir para a casa do amigo. Mas Josué delirava, sabia que o que mais queria na vida era apenas um sonho, um vislumbre passageiro, uma coisa tão corriqueira como a escada que liga o metrô da linha amarela à linha verde. Que anda, leva alguns pra onde querem, outros não. Por um segundo e meio Josué sonhou e sabia que aquilo era errado, sonhar é errado, arrependeu-se e despediu-se de Fernanda. Não trocaram telefones, redes sociais, endereços, sequer sabiam em que ponto cardeal direcionavam as janelas do quarto um do outro. Tinha os olhos de Fernanda, aqueles de soslaio antes daqueles de lado, tinha seus cabelos ruivos, tinha seu vestido que não era aquele que havia visto, mas agora já podia jurar que havia se enganado. Tinha sua voz, isso não bastava, mas quem era Josué pra ir além disso, para Josué desde sempre nada bastava, nada basta e não se pode ter tudo, então é melhor ficar com o efeito alcoólico, este sempre vai embora de manhã. Pediu para que tomasse a caideira quando a dona da casa já fazia plantão na porta para se despedir dos convidados, não conhecia bem a dona da casa, apenas o suficiente pra saber que ela não tinha o hábito de expulsar seus visitantes. Sentou-se na cadeira mais próxima dela e sorriu mostrando o copo de cerveja, ela sorriu de volta, cada gole parecia uma luta eterna, chata, angustiante. Cada gole, contrariando as leis das trocas exotérmicas da física, era mais gelado que o anterior. Calou-se, bebeu o que restava, a festa era só um fiapo do que havia sido, as luzes se acenderam, Josué apertou os olhos. Um ou outro caia no sofá, no chão, alguém corria para acudir outro no banheiro. Quando ia se levantar ouviu saindo do som cansado que jazia ao seu lado uma música de que gostava muito, caiu de novo na cadeira, uma ruiva correu para aumentar o volume, dessa vez ela vestia o vestido certo. Ele olhou, confirmou, era o mesmo vestido, a mesma cor de cabelo ruivo, o rosto era belo, ele o entendia assim, bolinou a chave do carro em seu bolso, olhou pra baixo, pra cima, ela ameaçava passos de dança, seus pés já estavam descalços, seu corpo já entendia que era hora de relaxar, ele esperou uma deixa como se a música não fosse o suficiente, esperou que ela lhe visse, não olhou para que ela o visse, tentou coincidir olhares ao acaso, respirou fundo, de novo olhou pro carpete e um filme passou em sua cabeça, sobre todas as vezes em que mexia nas chaves antes de chegar ao carro. Levantou faltando uma estrofe pra música acabar e foi até o som, ela olhou com um respingo de medo, Josué segurou com a máxima delicadeza possível sua mãe e perguntou seu nome. Rosa. Soltou a mão, tomou o carro e foi pra casa.

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Fallin’ Floyd

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Saudade

Eu tenho vinte e seis anos e morro de saudades. Saudade do ano passado e saudade de minha mais antiga lembrança. Qualquer não falante de lingua portuguesa não conhece o que é a palavra saudade. E quem tem cinquenta anos? E quem já goza de seus idos setenta solstícios? E quem nunca realizou um plano? E quem já realizou todos os sonhos? E quem não se lembra de nada? E quem tem memória eidética? Lembrar-se é um drama, cheiro, cor, gosto, movimento, gozo, sorriso, rosto envelhecido, envelhecido mas ainda novo. Som.

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§

Tudo começou com uma buceta.

Era outono, o parque se ajoelhava em minha frente, já era a minha milésima décima oitava dose de água com gás e um copinho de vinho branco sauvignon blanc…. Entrei naquela próxima esquina, não tinha ninguém, segui beco escuro adentro, não tinha ninguém, dobrei a pequena esquina, não tinha ninguém, mas que porra, quem eu tenho que chupar pra conseguir um pino? Um rapaz apareceu, louro, alto, nórdico, do tipo que não parece um traficante; pensei, a parada é boa. Me aproximei, tentei conversar um pouco, ele rosnou, foda-se, entrega o dinheiro, pega a parada, linha. Oieh, é o que temos! limão, metade e um, açúcar, cachaça, cachaça, cachaça, gelo pra caralho e bora. Amargo que nem minha rola depois de uma peça do Becket. Foda-se, vamo que vamo, a gente manda, tá tudo bem, no meu copo da L’Oréal Paris ainda tem mais um pouco de caipirinha, e assim, meus amigos, a vida se resume, uma dose de qualquer merda, umas duzentas peças de minha rola pra mostrar aonde que você pertence, umas caralhada na porra da caralha da sua cara e é assim, e é aqui que estamos, uma vontade absurda de me matar, de mandar uma corda no pescoço, como eu já fiz antes, de mandar um “valeu galera”, de chamar tua mãe de puta pela última vez. Mas antes do nascer do sol, pornografia, antes de morrer resolver toda a merda que resta. E isso é uma merda. Pra que, meus senhores? Pra que? Eu to quase vomitando. Eu nunca vomitei, eu nunca vomito, eu sou bom em segurar essa merda. Na verdade eu já vomitei duas vezes, na primeira foi no meu aniversário de 18 anos, no estacionamento do Extra, tinha bebido pra caralho e vomitei no meun tênis, macarrão com molho branco, lembro até hoje. Se você fosse meu pai o que você faria, beberia mais comigo, saudavelmente como sempre foi, sabendo que essa merda pode se desenvolver pra caralho ou mandava um foda-se e mandava parar a porra toda? Não sei. EU não sei. Pais sabem. Paisá é um grande filme do cinema italiano do pós guerra, um movimento chamado neo-realismo italiano. Mas que isso tem a ver com eu? Caceta nenhuma, eu sou apenas a concentração da esperança e do pessimismo, além de ser, é claro, o mal. O mal mora em mim*.

*Ouçam Saco de Ratos

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Guilherme Vazquez no Espaço Parlapatões

 

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Hoje tem Guilherme Vazquez no Espaço Parlapatões, se você quiser vê-lo (ou se você quiser me ver! (tá, se você quiser vê-lo)) vá à praça Roosevelt, hoje, meia-noite. Depois da uma, cerveja e curtição!

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